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Motoristas e cobradores podem parar o transporte coletivo de Pato Branco PDF Imprimir E-mail
Qui, 11 de Junho de 2009 13:00
sintropab_transangeloTarifa foi reajustada duas vezes em 2008, somando 18,75 % de aumento na arrecadação. Mesmo assim, as empresas de ônibus oferecem “migalhas” aos trabalhadores

O impasse nas negociações salariais dos motoristas e cobradores de Pato Branco pode acabar em greve. O Sindicato dos Trabalhadores em Transportes Rodoviários de Pato Branco (Sintropab) está denunciando a tentativa das empresas que operam o transporte coletivo do município, Transportes Coletivos LP Ltda e Transângelo Transportes Coletivos Ltda, de reduzir salários e cortar benefícios trabalhistas durante as negociações salariais deste ano – mesmo após a tarifa ser reajustada em 18,75% em 2008. O Sindicato também denuncia a falta de transparência da prefeitura municipal que nos últimos anos tem se negado a divulgar a planilha de custos do transporte coletivo da cidade.
Os representantes das empresas estão oferecendo apenas a reposição da inflação (medida pelo INPC) que no período de maio de 2008 a maio de 2009 ficou em 5,83%, com a condição extinguir o anuênio dos trabalhadores (adicional de 2% ao ano por tempo de serviço). A outra proposta é manter o anuênio e reajustar em apenas 4% os salários. No ano passado, as empresas haviam prometido a reposição da inflação de 1,9% para 2009, uma vez que o reajuste em 2008 foi de apenas 4% (inferior à inflação).

Dieese calcula as perdas salariais no período

O economista do Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Sócio Econômicos (Dieese), Sandro Silva, fez um estudo baseado na inflação dos últimos 12 meses e nas perdas provocadas pelo reajuste de 4% do ano passado. “Para fazer a reposição da inflação nos últimos 12 meses mais a perda de 1,83% que os trabalhadores tiveram pelo reajuste de 4% em 2008, seria necessário um aumento de 7,78%”, diz o economista.

A tabela do Dieese demonstra o tamanho das perdas salariais dos trabalhadores nos últimos 12 meses:

Piso salarial atual
Perda mensal nos
últimos 12 meses

Perda total
no período
motorista
R$ 1.185,60
R$ 21,70 R$ 289,26
cobrador
R$ 711,36 R$ 13,02 R$ 173,53


Com a reposição da inflação dos últimos 12 meses (5,83%) mais a reposição da perda salarial em 2008 (atualmente em 1,83%), os pisos salariais de ingresso dos trabalhadores ficariam em:


Piso salarial atual
Piso salarial com a
reposição das perdas
motorista
R$ 1.185,60 R$ 1.277,60
cobrador
R$ 711,36 R$ 766,56

De acordo com o economista do Dieese, 88,1% das negociações salariais em todo o Brasil conquistaram a reposição da inflação em 2008 e 77,63% dos sindicatos conquistaram aumento real (acima da inflação) no ano passado. “Essa é uma tendência que tem ocorrido no Brasil desde 2004. A maioria das negociações salariais no Brasil estão terminando com a reposição da inflação acrescida de aumento real aos trabalhadores”, diz Sandro Silva.

Trabalhadores recusam propostas patronais em assembléia

Em assembléia realizada no último sábado (30/05), a maioria dos trabalhadores recusou a proposta patronal, insistindo pela reposição justa das perdas salariais do último ano, sem abrir mão do anuênio. Sendo assim, o Sintropab manteve a exigência de reposição de 8% com a manutenção do anuênio, dando um prazo até o dia 03 de junho para as empresas darem uma resposta. O prazo venceu e os representantes das empresas pediram uma nova reunião no dia 23 de junho. “Já deixamos claro que não vamos aceitar essas propostas absurdas. Já pagamos um preço caro ano passado, com a promessa de que as coisas iriam melhorar este ano. Se for preciso, vamos parar a cidade! Chega de perdas!”, diz o presidente do Sintropab, Ênio Antonio da Luz. De acordo com o dirigente, acabar com o anuênio seria assinar a carta de demissão dos motoristas com mais de 10 anos de empresa. “Jamais vamos aceitar acabar com essa conquista histórica”, diz. Se na próxima reunião no dia 23/06 as empresas se recusarem a atender às reivindicações dos trabalhadores, inevitavelmente os trabalhadores irão parar o transporte coletivo da cidade.

Congelamento do anuênio = perdas progressivas

Experiências anteriores envolvendo o fim do anuênio representaram perdas imensas para os trabalhadores. “Em 1999, quando a discussão sobre a privatização da Copel estava calorosa, o sindicato dos trabalhadores foi praticamente obrigado a aceitar 60% de aumento aos trabalhadores em troca do congelamento do anuênio – que era de 1% ao ano. Como resultado, nesses últimos 10 anos, os trabalhadores perderam 7,92 salários. Mesmo com o reajuste de 60%, pois a perda em caso de anuênio é progressiva”, explica o economista.

Os trabalhadores estão irredutíveis e continuam a recusar a proposta patronal, principalmente pelo fato de no ano passado a passagem, que era R$ 1,60, ter subido duas vezes – em junho para R$ 1,70 e dezembro para R$ 1,90 – aumentando em 18%,75 a arrecadação das empresas.

O Dieese fez um cálculo de quanto seria a perda para o motorista e cobrador que ingressar hoje no transporte coletivo de Pato Branco, caso o anuênio seja extinguido:

Perda salarial
(percentual do piso)
1º ano sem anuênio 28,79%
3º ano sem anuênio
86,38%
5º ano sem anuênio 143,96%
10º ano sem anuênio
287,93%











Última atualização em Qua, 11 de Novembro de 2009 13:04
 

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